quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Amor....ou o que é o Amor...

O primeiro texto de 2009 surgiu logo após uma divertida conversa com um amigo da Índia, chamado Pranshu. Ele estava a contar-me a sua desventura amorosa com Pallavi, sua ex-namorada e de repente me veio à mente um outro episódio: o dia em que ouvi Marcelino Freire, um pernambucano engraçado, inteligentíssimo e que dentre outros contos, escreveu este, que fala exatamente do AMOR.
A história de Pranshu é comovente para qualquer ocidental que a ouça, mas ele é tão divertido que eu encarei com humor. Ele talvez nunca entenderá este conto, mas com certeza entenderá a parte cômica deste mesmo AMOR.
Segundo Marcelino Freire, " AMOR é a mordida de um cachorro pitbull que levou a coxa da Laurinha e a bochecha do Felipe. AMOR que não larga. Na raça. AMOR que pesa uma tonelada. AMOR que deixa. Como todo grande AMOR. A sua marca.
AMOR é o tiro que deram no peito do filho da dona Madalena. E o peito do menino ficou parecendo uma flor. Até a polícia chegar e levar tudo embora. Demorou. AMOR que mata. AMOR que não tem pena.
AMOR é você esconder a arma em um buquê de rosas. E oferecer ao primeiro que aparecer. De carro importado. De vidro fumê. Nada de beijo. AMOR é dar um tiro no ente querido se ele tentar correr.
AMOR é o bife acebolado que a minha mulher fez para aquele pentelho comer. Filhinho de papai lá no cativeiro. Por mim ele morria seco. Mas sabe como é. Coração de mãe não gosta de ver ninguém sofrer.
AMOR é o que passa na televisão. Bomba no Iraque. Discussão de reconstrução. Pois é. Só o AMOR constrói. Edifícios. Condomínios fechados. E bancos. O AMOR invade. O AMOR é também o nosso plano de ocupação.
AMOR que liberta. Meu irmão. AMOR que sobe. Desce o morro. AMOR que toma a praça. AMOR que de repente nos assalta. Sem explicação.
AMOR salvador. Cristo mesmo quem nos ensinou. Se não houver sangue. Meu filho. Não é AMOR."
Conto retirado do livro RASIF - MAR QUE ARREBENTA - de Marcelino Freire.